sexta-feira, 26 de março de 2010

Entre sol e lua ( Yan )

Na rua deserta e banhada pelo orvalho sereno da madrugada, vago silencioso em tropeços casuais; vi a fumaça da certeza embalar-me em pensamentos profundos, porem passageira de um trem que passa e leva velozmente meus impulsos de herói e minhas inúmeras revoluções cotidianas!

Meus erros são tão previsíveis, que pena, pois a noite continua bonita e eu, ao inverso, tento uma compreensão que me parece ainda bem longe. E o mundo segui e eu a perseguir; fazes-me um favor, deixe-me em minhas embriagues, só por hoje? Os devaneios meus que saem inexplicáveis, por vocês perdi o rumo do nada e segui firme ao desespero que é a razão!

Olhe lá amigo, veja aquele poeta ridículo que troca suas linhas estranhamente rimadas pela força impactante de um conto e se debulha em lágrimas em uma calçada qualquer por dor jamais tida, veja-o e aprenda logo que poetas são poetas e suas dores são nossas! Acho que vou parar de ser uma caricatura e buscar um outro motivo pra me enganar, afinal somos obrigados a mentir apenas pra não dizermos a verdade? Que estranho olhar e ver que a rua ainda vai e eu já não me ponho mais em pé, agora somos dois na calçada a ver a noite virar dia e as putas agora virarem moças bonitos depois, riremos de vocês com seus empregos e fardas manchadas de um suor derramado apenas por dinheiro, enquanto nós continuamos aqui, que engraçado pensar o que será do amanha e esquecer do hoje!

Então do vago farei o complexo e do seu nome lembrarei de manha, se a ressaca deixar! Meu bem não fique triste somos livres, eu mais do que você, pois nada tenho a perder, meus versos agora desperdiçados pela voz rouca de um garoto ao ouvido de sua bela companhia e décimas intenções sobre algo a mais me fazem ser ele. Não gosto do sono, pois já não tenho sonhos, então deixa colocar minha cabeça em teu colo e reinventar minhas linhas sussurradas ao teu ouvido e jurarás que são para você!

A lua e o sol agora brigam para ver quem está mais belo no céu! O raiar retoma em mim algo de um antigo e único amor que agora mora em mim e só. Em fim as lágrimas vieram a romper precipitadamente me rosto lívido do luar, em fim elas vieram para levar-me a ti, por favor, me deixem lá! Em fim a derrota virou uma verdade amarga e o inicio voltou a ser apenas um pressuposto do fim inevitável, eu ainda penso e sigo em busca, mas por hoje me deixe lá!

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